Tel Aviv, Teerã e a parábola da cegueira
Como o apoio evangélico brasileiro à Israel expõe uma teologia do delírio, ignora os mortos da Palestina e silencia diante dos direitos que diz defender Por Antônio Barbosa , sociólogo. Há algo de litúrgico, e ao mesmo tempo grotesco, no modo como parte das lideranças evangélicas brasileiras carregam a bandeira de Israel. Em cultos televisionados, peregrinações em grupo, redes sociais e discursos de púlpito travestidos de fala parlamentar, Israel se tornou mais que um país: tornou-se o altar de uma fé transbordante de símbolos e vazia de história. Não é o Estado concreto, com sua sociedade plural, suas instituições democráticas em erosão e sua política militar expansionista, que mobiliza tais fiéis — mas sim a imagem mitificada de uma Jerusalém profética, onde se encenaria o clímax escatológico do juízo final. A devoção, contudo, escapa a qualquer coerência com a realidade. Israel, ainda que sob crescentes tensões institucionais internas, é um país onde mulheres servem nas Forças Armad...